Lei de Cotas: inclusão ou exclusão?



Vivemos a era da tecnologia e da informação. Nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento como agora. Porém, em pleno ano de 2018, rotulamos as diferenças: portadores de necessidades especiais, raça – que nos une e nos separa.

Em nossa primeira coluna vamos abordar a questão da Lei de Cotas 8.213/91, também conhecida como Lei do Deficiente. Ela traz um novo olhar para as empresas: integrar uma parcela da população, que é excluída aos olhos de muitas, das consideradas, “pessoas normais”.

Através da Lei de Cotas, as empresas com cem empregados ou mais devem contratar pessoas com deficiência (PCD). A Lei 13.146/2015, ou Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, tem como objetivo inclusão social e cidadania. Ambas assumem um papel de não mais segregar e levantam questões importantes.

Com foco principal na questão das pessoas com deficiência, eu pretendo levar você, amigo internauta, a refletir sobre o seguinte questionamento: se as empresas não fossem “obrigadas” por lei, será que veríamos PCDs trabalhando e contribuindo com suas qualidades para as empresas?

Em uma sociedade cada vez mais individualista, em que ter é mais importante do que ser, será que teríamos empresas preocupadas com inclusão? Lembro que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, artigo 3º, parágrafo IV, é um dos objetivos: “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

Se a Lei de Cotas se mostra um retrocesso no sentido de que precisamos de uma lei para que todos os cidadãos sejam considerados iguais, partindo da perspectiva da mudança que fez e faz na vida das pessoas que são atendidas por ela, essa lei é um avanço, por ser responsável por tornar real, sonhos que sem a sua obrigatoriedade, não seriam realizados.

Mas ainda vemos escolas sem nenhuma condição de atender cadeirantes, por exemplo. As nossas cidades não são adaptadas de forma responsável: calçadas esburacadas, pouquíssimas rampas de qualidade, gerando pouca mobilidade para quem precisa de mais atenção. Mesmo com a lei, ainda há muito o que fazer.

Eu acredito que teremos sim uma sociedade justa. Talvez um dia seremos evoluídos a tal ponto de não precisarmos mais “forçar” as empresas a olharem o outro, como um PCD, mas sim uma pessoa, com suas qualidades e defeitos, com seus sonhos e os seus talentos. Sou sonhadora e acredito que as pessoas podem sempre surpreender para o bem. Creio que se nos unirmos, podemos criar um mundo melhor. Precisamos discutir esses temas, refletir, ouvir os outros, estarmos abertos e se preciso, mudar a nossa opinião e pensamento.

A vida é um constante aprendizado. Ninguém sabe tudo. Portanto faz-se necessário olhar em volta e se perguntar: Qual a minha visão do mundo? Qual minha missão aqui? O que eu posso mudar ou transformar? Vamos olhar com outros olhos as pessoas que são diferentes de nós! Vamos enxergar além das aparências! Todos nós podemos aprender uns com os outros. Que tal começarmos respeitando as diferenças?

Vamos lá, assim como eu, ao pensar no assunto, qual foi o seu olhar? O que de fato nós podemos mudar?

Analine Molinário

analinemolinario@talentosbr.com

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